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A minha experiência com Yin Yoga

Há algumas semanas atrás voltei da minha quinta formação. Como muitos professores de yoga, acumulo “horas de voo” em formações, porque é sempre bom estar perto do grupo, aprendendo mais e mais daqueles que estão na nossa frente.

Devo confessar que ao final de cada formação eu fico feliz, pleno e realizado, mas durante o processo, o desgaste físico e a tensão são tão grandes, que acabo sofrendo um pouco. 

O primeiro que me surpreendeu dessa formação foi a sua leveza. Foi extraordinário para mim fazer uma formação sem estresse nem preocupação nenhuma, eu só queria estar ali porque era o que eu mais queria fazer (ainda mais estando num templo espiritual no meio da mata atlântica rodeado por cachoeiras). Senti que achei a minha praia, e vou tentar contar pra vocês o porquê.

A filosofia taoísta possui o conceito central do Yin-Yang, São os opostos que na verdade se complementam. Trata-se de um entendimento um pouco mais complexo e holístico da realidade e, no meu ver, mais completo e profundo.

Quando falamos de Yin Yoga falamos do complemento daquele Yoga praticado de um jeito Yang que é expressivo, expansivo, que vai atrás do alinhamento, da forma, do fazer e do criar. No Yin, mergulhamos num Yoga totalmente diferente no qual predomina o não fazer, não lutar, não resistir, não alinhar (ou pelo menos não com as mesmas regras que numa prática “Yang”), deixar a gravidade agir e tomar conta do processo. 

Claro que algum alinhamento é necessário para preservar o corpo, mas ele não é o protagonista na história, quem manda é o que chamamos de área marcada: um alongamento ou compressão sobre um músculo, grupo ou área específica. A partir daí, o mundo vai se ajeitar para que o único que importe seja essa sensação, por isso usamos muitas mantas, almofadas, blocos, enfim, o que chamamos de props.

A ciência por trás disso (e tem muita, pois a prática foi desenvolvida por cientistas) explica que pela permanência sustentada por pelo menos 5 minutos, fazemos um trabalho na fáscia muscular mais profunda, liberando tensões e enrijecimentos que podem até desbloquear maus funcionamentos sistêmicos gerais. 

Além disso, este tipo de alongamento cria um ponto de tensão que estimula os meridianos (canais sutis), distribuindo prana (energia vital) para diversas áreas do corpo, criando assim uma espécie de “acupuntura sem agulhas”. Mas não quero ficar detalhando demais isso aqui, pois isso tudo você acha facilmente na internet.

O que de fato experienciei com muita clareza durante a imersão é que quando você elimina o fator alinhamento e “postura certa”, você está eliminando o ego do processo e é aí que “o bicho pega”.

Eliminar o ego (ou pelo menos dizer para ele que neste momento não precisa se preocupar com o mundo externo), me habilitou a dialogar profundamente comigo mesmo. O corpo propunha sensações, às vezes desesperadoras, às vezes libertadoras; as sensações acordavam emoções, às vezes associadas a lembranças boas ou ruins, às vezes a traumas. E ali se desencadeou um grande processo. Nessa hora reconheci com muita clareza que aquilo era um microcosmos de um macrocosmos que vivo e revivo no dia a dia. 

A partir daí aconteceram revelações que começaram a mudar um sistema de crenças que estavam me limitando, me fazendo pequeno, nesse momento tive uma reconciliação comigo mesmo. Tive um diálogo interno transformador como poucas vezes tinha tido antes.

Essas percepções são o meu tesouro. Esse espaço de uma hora de prática é sagrado, porque é um encontro comigo mesmo. Isso deveria ser um direito de todo ser humano. 

Nos conhecer, nos torna resilientes, fortes, flexíveis, adaptáveis e sobreviventes num mundo desafiador demais. O que eu quero é que a maior quantidade de pessoas possa acessar isso, não porque quero parecer santo, mas porque se todos a minha volta tivessem essa ferramenta, com certeza eu viveria muito melhor.

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