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Simbologia do Anahata Chakra

Esse é um dos chakras mais carregados de simbologia. Ela -a simbologia-, não só é abundante em elementos mas também muito rica em significados que apontam às diferentes qualidades e formas que assume o prana -e a kundalini- quando passa por esse chakra, refletindo-se em características psicológicas e, ao longo, prazo da personalidade.

Anahata significa “o não afetado” “intato”, um outro nome para esse chakra é o de Hrit Pakaja ou “lótus do coração”.

Ele coincide com o plexo cardíaco, a coluna torácica e se estende pelos braços e mãos, os quais são os seus órgãos da ação (karmendriya). Assim, o órgão da percepção (Jnanendriya) desse chakra é a pele, e o sentido conectado ao chakra é o tato.

O elemento associado a este chakra é o ar, pelo qual é possível fazer uma leitura plurissignificante em base às qualidades desse elemento: móvel, maleável, adaptável e leve. O ar também não possui cor, cheiro, gosto nem forma. Ao mesmo tempo, muitas vezes, costuma-se tratar como ar e prana como sinônimos, já que o prana costuma seguir as rotas do ar, e se movimenta em vayus -que é a palavra sânscrita para ventos-.

Trata-se do chakra central, que equilibra e distribui o prana entre os outros chakras. O mediador.

Desse jeito a forma geométrica que o representa é o hexagrama, conformado por dois triângulos, ao mesmo tempo duas setas, uma apontando para baixo e outra pra cima, representando não só a batalha que se dá nesse centro entre energias descendentes e ascendentes mas também o equilíbrio entre umas e outras. Equilíbrio entre shiva e shakti, entre o princípio yang e o princípio yin. A armonía.

Em volta à forma geométrica, o tantra posiciona 12 pétalas, representantes dos 12 vrittis que segundo esta tradição estão associados a esse chakra. Através da respiração o prana flui em direção a essas vrittis -variações mentais-.

Ao mesmo tempo, ao interior do yantra encontra-se outro lótus com mais oito pétalas. Esse lótus extra é a representação da consciência. Como já narrei num post do meu instagram algumas semanas atrás, em muitas culturas se acredita que a consciência reside no centro do peito, à direito do coração, esse centro é chamado Ananda Kanda ou espaço da felicidade e, acredita-se, que ele se ativa só quando a kundalini chega nesse ponto pelo sushumna nadi. Esse lótus interno é o espaço desde o qual nascem os desejos…(falo mais sobre isso no vídeo descritivo da simbologia do chakra na Comunidade Santosha).

O bicho presente nesse chakra destaca pela sua alta carga significativa. O antílope almiscareiro é um bichinho com olhar inocente e dócil que pula brincalhão pela floresta, ele é sumamente atraído pelas miragens e reflexos. Passa o dia atrás do cheiro do almíscar, constantemente à procura dele, sem perceber que o almíscar é uma substância que sai do seu próprio umbigo. Assim como nós estamos à constante procura de amor, felicidade e liberdade no exterior, nas coisas e nas pessoas, sendo que só as podemos achar no nosso interior e em paz com a nossa mente.

Nesse chakra, assim como no primeiro (Muladhara) temos a presença de um lingam, dessa vez o Shiva Lingam do plexo cardíaco representa o Sada Shiva, o Shiva eterno, a presença da eternidade na consciência. Ele segura -embora não seja visível na imagem escolhida- um tridente representante das qualidades da energia -tamas, rajas e sattva- profundamente relacionadas com o surgimento dos desejos, veste uma pele de tigre simbolizando o domínio sobre a mente e um tambor que simboliza as batidas do coração.

Neste lingam também vemos uma kundalini que a diferença de ter forma de serpente enrolada, como no primeiro, já está acordada, e com forma de mulher, avançando em direção a uma meia lua em representação dos chakras superiores. No primeiro era o nascimento da vontade, aqui trata-se do nascimento da consciência.

A divindade é o Ishana Rudra Shiva, uma personalidade totalmente diferente ao Shiva do Manipura Chakra que com seu aspecto irado inspirava determinação e raiva. Neste caso, o Shiva é sempre juvenil, com olhar pacífico e benevolente, afastado do mundo e sumamente doce. Se fala que o ganga -rio ganges- flui dos seus cabelos como uma corrente refrescante de autoconhecimento. Também veste pele de tigre, simbolizando o domínio da mente que vaga constantemente pela floresta dos desejos.

Possui nas suas mãos, assim como o shiva do lingam, um tridente e um tambor.

As cobras enroladas nos seus braços e corpo simbolizam o domínios dos desejos e as paixões. Neste chakra se reconhece a natureza interna dos prazeres, logrando o desapego dos objetos. Perceber que o prazer não vem de fora, é uma experiência interna que nos dá domínio sobre as paixões. Sem apegos aos prazeres, honras e humilhações que vem de fora os desejos não causam mais problemas porque se atinge o equilíbrio em todas as direções, uma harmonia do interno e o externo.

A shakti que rege o Anahata é a Kakini, de olhos atrativos, cheia de jóias simboliza a natureza autogeradora, auto-emanante, desse chakra. Mais uma vez, a percepção de que tudo está e vem de dentro.

A Kakini, através da devoção -o bhakti- o amor à divindade, ou o amor ao crescimento espiritual, tem o poder de penetrar em todos os lugares e espalhar energia pelo corpo inteiro. A devoção, o poder do amor direcionado a um objetivo, tem um poder enorme.

Ela tem quatro braços e quatro cabeças, os seus braços seguram:

  • Uma espada que proporciona o elemento para cortar os obstáculos externos que bloqueiam a evolução.
  • Um escudo para se proteger das condições e ameaças externas.
  • Um crânio, simbolizando a morte, e nesse caso especificamente o afastamento da falsa identificação com o corpo.
  • Um tridente, o equilíbrio entre a criação, a manutenção e a destruição ou transformação.

Yantra (representação simbólica) do Anahata Chakra

As quatro cabeças, assim como o chakra Swadhistana que expunha o Vishnu de 4 cabeças, indicam os 4 aspectos do eu individual:

  • físico
  • racional
  • sensual
  • emocional

A Kakini é a inspiração para as artes inspiradas e dedicadas à espiritualidade, acredita-se nessa linha de pensamento, que as artes surgidas do Swadhistana são belas mas destinadas só a entretener, à beleza pela beleza, enquanto as artes inspiradas pela energia do Anahata são conectadas com a espiritualidade e a devoção ao crescimento espiritual, ritmadas pelos latidos do coração e universais. Estas artes trazem calma para a mente, pro ego e pro intelecto.

A Kundalini aparece pela primeira vez como uma deusa. Já não é mais uma serpente destrutiva que precisa avançar com determinação através de obstáculo, agora é a encarnação da sedução e a beleza, que encanta com conhecimento espiritual e o amor da devoção, sentada numa postura yogi, estabelece que o jeito de avançar a partir de agora é por meio da sutileza e o amor.

É aqui que nasce o Anahata Nada, o som do coração, também conhecido como ruído branco. Assunto que abordaremos durante o workshop/ciclo de aulas da Comunidade Santosha de Julho de 2021.

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